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1 de jul de 2008

Patriotada

Essa postagem nada tem a ver com o Palmeiras. Coisa que não costumo fazer aqui neste espaço. Trata-se de alguns comentários sobre manchetes e pronunciamentos de parte de integrantes da mídia esportiva. Coisa do tipo: 'O primeiro brasileiro a vencer a Eurocopa'.

Me estranha muito essas afirmações, pois se a Eurocopa é uma competição disputada por seleções nacionais, compostas - por força do regulamento - por cidadãos de um determinado país, se o Brasil na faz parte da Europa, é então - IMPOSSÍVEL - existir um brasileiro campeão de tal torneio. Ah! Dirá o dileto leitor, mas Marcos Sena, que se sagrou campeão pela Espanha é brasileiro, nasceu no Brasil. Eu, de meu turno, respondo: E daí onde ele nasceu? O cara não optou por ter cidadania, passaporte, benefícios e, acima de tudo, defender uma seleção de outro país? Então, meu caro, como diria o outro: 'A Inês é morta!'. ELE NÃO É BRASILEIRO COISA NENHUMA. Ele é, independente de onde nasceu, independente do (digamos) sangue que lhe corre nas veias, um cidadão ESPANHOL.

Essa coisa de 'primeiro brasileiro a vencer a Eurocopa' é, no mínimo, uma falta de senso. Coisa de quem não enxerga um palmo adiante do nariz. Coisa de quem acha ser o Brasil o umbigo do mundo.

Hoje, em um programa da SPORTV (não me lembro o nome do programa) houve uma discussão sobre o tema, onde alguns diziam que essa coisa de naturalizações 'por causa do esporte' irá acabar com o, vejam só, esporte. Que os organismos esportivos deveriam fiscalizar, impedir, estabelecer regras, pois o Catar, por exemplo, ao contratar algum atleta está o obrigando - por contrato, mesmo que não escrito – a se naturalizar e defender as cores do país em competições internacionais.

Outros no mesmo programa disseram que há casos e casos. Como que estabelecendo que existam naturalizações válidas e outras não válidas. Se pude entender as válidas são aquelas por 'amor ao país' (altruísmo). As não válidas são aquelas de motivações de foro egoísta. Quem decide qual deve ser válida é o que não sei.

A vontade e o desejo do sujeito e mesmo o dinheiro (porque não?) pago a ele, não deve ser levado em conta. Por exemplo: Um rapaz do alto de seus 15 anos de idade vai para, digamos, a Espanha. Lá estuda, lá sua família se estabelece e se naturalizam espanhóis. Lá ele começa - no colégio - a praticar futebol, um grande clube de lá o vê em ação e o contrata para praticar o esporte em suas categorias de base. Ele se profissionaliza e é reconhecido como bom jogador; a seleção da Espanha o chama para atuar na Eurocopa, na Copa do Mundo. Ele faz o quê? Diz não? Diz que é brasileiro, mesmo o sendo só de nascimento.

Depois vêm alguns e dizem que o último refúgio dos canalhas é o patriotismo. Não, não é. O refúgio dos canalhas é a patriotada. Dentre elas está essa de dizer que Marcos Sena, Deco, Curani, dentre outros, são brasileiros. Eles são por opção - seja altruísta ou egoísta - cidadãos de outras nacionalidades. O resto é papo de quem quer estabelecer regras para tudo e enxerga seu país como o umbigo do mundo. Estes querem regras até para estabelecer se uma pessoa tem o direito ou não de decidir de que país quer ser cidadão.

Sei que o tema merece uma reflexão mais profunda. Não é aqui o foro. Mas, não pude deixar de escrever algo, pois isso vem me incomodando há tempo.

Parabéns à seleção da Espanha pela conquista da Eurocopa. Parabéns ao ESPANHOL Marcos Sena pelo título.

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Em tempo: Sobre o fato de JK ter dado uma estocada em seu desafeto, Vanderlei Luxemburgo, até no post sobre a conquista espanhola, não vou nem comentar. É uma coisa que está se tornando doentia. Não merece nem comentários.

5 comentários:

  1. Eu aqui começo a pensar se esses caras realmente raciocinam com esse simplismo ou se simplesmente se trata de falta de assunto. Uma vez que ele optou a quem deve pagar seus impostos e a que país jurar fidelidade, na idade adulta, fica claro que o cara não é brasileiro de fato! É brasileiro de direito, se um dia vier a precisar dessa nação terceiro-mundista para resolver qualquer impecilho burocrático, mas não o é de fato.

    É o mesmo caso da pseudo polêmica das "paradinhas", que ocupa as manchetes da mídia paga por esses dias: futebol só tem de quarta e domingo. Nos outros dias, as putas inventam polêmicas e crises para continuar em foco...

    Ei, Carca! Você me censurou?!...

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  2. Censurei por quê? Não entendi! Quanto ao caso das paradinhas vou dedicar a elas um post ainda essa semana. Coisa de gente tosca. O problema se resume a que ano passado na última rodada tivemos o nosso primeiro penalti, enquanto isso o SPFW nadava de braçada nas penalidades. Esse ano, somo os segundo no critério, aí eles inventam falsas polêmicas. Escreverei sobre isso. Abraço

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  3. Agora eu entendi. Acontece que na moderação, ao contrário do e-mail enviado, não aparece o nome de quem mandou o comentário. Como entrei pela moderação e era uma frase assim, digamos, meio enigmática (eheheh) eu deletei, pensando em ser um 'adversário' me xingando. Tentarei publicá-la agora, já que era 'fogo amigo' (ehehehe). Aqui não há censura. Abraço.

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  4. Quem mais nesse mundo te mandaria comer sagu?

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Caro Palmeirense, aqui você pode fazer seu comentário. Como bom Palmeirense CORNETE!!!