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"Em 40 anos de jornalismo, nunca vi liberdade de imprensa. Ela só é possível para os donos do jornal". (Cláudio Abramo, que dirigiu Folha e Estadão)

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28 de jan de 2008

Imprensa e marketing

A imprensa nativa, como diz com propriedade o Mino Carta, adora um modismo. Vive de criar fatos novos, para depois, incorporá-los como verdades estabelecidas.

Tomemos alguns exemplos:

A. Hoje, o diário Lance (através de seus especialistas) decretou que o gol do Adriano foi válido. Unanimidade. Nunca vi isso acontecer antes. Sempre deram o benefício da dúvida. No caso do gol do "Imperador" essa regra não valeu. Foi gol válido e pronto! Deixo aqui registrado que até agora tenho dúvidas. Vendo, revendo e vendo de novo, continuo a achar que estando eu lá, com o apito à boca, validaria o gol. Mas, o que importa aqui não é isso. O que importa é o decreto. Gol, e pronto! Isso se deve, talvez, ao fato de algumas placas de publicidade no Morumbi estamparem propaganda do periódico, aliás, periódico recheado de gente que se diz do lado do bem(!), daqueles que se dizem modernos, probos, incorruptíveis.

B. A FSP, no domingo, estampa na primeira página, manchete com o seguinte teor: “SP falta ao maior clássico de SP”. Trata a matéria da falta de jogadores e treinadores paulista no clássico que foi batizado de Majestoso pelo jornalista Thomaz Mazzoni. Mas, atentem à segunda parte da manchete: "maior clássico de SP". Quem disse isso? De onde o jornal, o editor, o repórter, enfim, o 'diabo', tirou que SP X Corinthians é o maior clássico de São Paulo? O maior clássico de SP é, sem dúvida, Corinthians X Palmeiras, Palmeiras X Corinthians, interrogação. Queira o jornal ou não, queira o repórter ou não, queira o editor ou não. Queira o Diabo ou não. Clássico nasce da tradição e essa, Palmeiras x Corinthians, nasceu à época do futebol amador, antes do período profissional; nasce da história, nasce da rivalidade, nasce de fatores econômicos, culturais, étnicos etc. Sugiro ao autor da besteira lá escrita que leia: "Futebol e Imigração: O caso Palestra Itália". Se não encontrar o livro nas prateleiras faça o Download aqui no Blog, é grátis.

C. A imprensa ainda se incomodando com o valor pago pela FIAT para estampar sua marca na camisa do Palmeiras. Até editorial saiu no Lance. Nele cravam que Beluzzo mentiu. Não vou mais entrar nesta discussão. Não vou discutir se a cota é maior, menor ou igual ao patrocínio de outrem. O que importa aqui é a maneira como as coisas se dão na imprensa nativa (de novo parafraseando Mino Carta), aqui é na base de "o jornalista disse está dito", não importa de onde veio a informação. Reproduzo abaixo a carta do Beluzzo ao diário:

Senhor Luiz Fernando,

Leitor assíduo do Lance, topei hoje com o editorial de sua lavra. Nele o senhor usa a palavra mentira para qualificar os valores do contrato de patrocínio da FIAT, aqueles divulgados pela imprensa nativa. Sinto-me na obrigação de fazer algumas considerações sobre o texto.

1 - No dia seguinte à assinatura do contrato a mídia divulgou os valores mais disparatados -desde 10 até 19 milhões, passando por 15, 12 etc...Perguntado sobre o assunto, respondí que não poderia confirmar nem desmentir o que estava sendo publicado. O presidente Bellini da FIAT e a presidência do Palmeiras foram muito claros: todos deveriam manter sigilo acerca das condições contratuais. Contratantes privado estão desobrigadas de informar o valor de seus contratos, salvo no caso de decisão judicial. O senhor fala em motivos estúpidos- ninguem está livre deles, salvo os jornalistas guardiões da verdade e da perfeição humana - mas tambem em motivos suspeitos, o que é muito grave. Imagino que tipo de fraude poderia haver num contrato de patrocínio: lavagem de dinheiro, grana por fora, suborno, crime tributário. A suspeita de malfeitorias daria ocasião, num país civilizado, a uma ação judicial requerida pelos acusadores que, suponho, são partes legítimas. Se assim não for, correm o risco curtir uma condenação por litigância de má fé. O ônus da prova cabe a quem acusa. Assim eram as normas processuais até o surgimento dos tribunais midiáticos.

Os jornalistas do Lance que cobrem o Palmeiras podem (ou deveriam) testemunhar que as cifras mencionadas jamais sairam de minha boca ou de qualquer outra pessoa autorizada. Mas há quem entenda, na imprensa nativa, como diz meu amigo Mino Carta, que "pacta non sunt servanda". Devo atribuir o desconhecimento dessa regra à eliminação do ensino do Latim nos cursos de segundo grau. Ademais, o senhor há de concordar que seria demasiado exigir que eu desminta o que não disse. Essa era a técnica praticada nos calabouços da ditadura.

2- O contrato tem um valor fixo e prevê, alem do jogo com a Juventus, prêmios por desempenho e outras ações na área social e,ambiental. Hoje os profissionais de alto nível, os mais procurados no mercado, firmam contratos desse tipo. O valor final do contrato está em aberto.

3 - Quanto aos demais empreendimentos teremos o maior prazer em esclarecer o senhor editor-chefe

Luiz Gonzaga Belluzzo


Por enquanto é isso.

Estou de saco cheio com essas coisas que a imprensa vem fazendo. O Marketing não vai destruir uma tradição, nem conseguirá alçar - quem quer que seja - à condição de grande. Isso se faz com história e tradição, coisa que para alguns sobra, para outros falta... E muito!

3 comentários:

  1. Fala, Ademir!

    Faz todo o sentido a sua argumentação sobre o verdadeiro grande clássico desta cidade. Tem a ver com tradição, algo que os alienados do Jd. Leonor jamais terão...

    Abraços

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  2. Barneschi, primeiro quero agradecer por você sempre passar por aqui. De minha parte todos os dias leio o seu blog, que é de qualidade. Sobre tradição, não basta querer ser tradicional, isso se conquista. Ela (a tradição), como já disse, nasce da história. Isso nós temos, eles tentam comprar com marketing. Abraço.

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  3. Barneschi, me esqueci de uma coisa, manda o RSS ou o feed de seu blog. Assim coloco na inicial do meu e as notícias atuais estarão disponíveis para os leitores. O OV, 3VV, OFalavigna eParmerista já tem, gostaria de poder colocar o seu também. abraço.

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Caro Palmeirense, aqui você pode fazer seu comentário. Como bom Palmeirense CORNETE!!!