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5 de set de 2007

A ITALIANIZAÇÃO DE NOSSO FUTEBOL!!!

Ou, o apito cor-de-rosa*

Há alguns dias vi no Blog do PVC uma matéria sobre os pontos reclamados por cada time e uma classificação se cada ponto fosse devolvido ao reclamante. Segundo os NÚMEROS o campeonato continuaria como estava, com a mesma classificação, com a diferença no número de pontos de cada time.

Pois bem, números são números, são frios. O que se faz com eles (e como se estuda esses números) é o importante, é o que faz diferença.

Há a famosa metáfora do frango e o PIB: existem duas pessoas e dois frangos. Uma delas come os dois, o outro morre de fome, mas na MÉDIA, cada um comeu um. Os números dizem isso.

Durante o segundo reinado, sob o mando de Dom Pedro II, o Brasil tinha 60% de sua população composta por negros livres, 30% de brancos e 15% de negros escravos. Ou seja, havia mais escravos livres que brancos livres. Durante esse período 15% dos professores brasileiros eram negros. Os irmãos Rebouças (um médico e outro engenheiro) eram consultores do Imperador. Do fim do Império até 1940 esses professores negros desapareceram. O que isso quer dizer? Depende. São apenas números. A análise que se fará desses números é o que importa e o que responderá os porquês.

Voltando ao futebol, e aos números, vale dois comentários sobre a matéria do PVC.

O primeiro é que uma rápida olhada nos mostra que NO MÌNIMO o campeonato estaria mais equilibrado, com a diferença do líder para os outros sendo menor.

O segundo comentário é que o momento dos erros importa bastante, pois se um time está para alcançar outro e é prejudicado dá uma sobrevida para aquele que está a sua frente. Além do mais estar a frente é uma vantagem enorme (desculpa a redundância, mas é isso mesmo), pois ‘caçar’ o outro é muito mais difícil que administrar a vantagem.

Me lembro do campeonato do Edílson. Aquele como esse tinha muita reclamação sobre arbitragens. A imprensa fazia seu papel e dizia que ‘erros acontecem’, se dando conta – só depois – de que havia mais que erros. Havia manipulação de resultados.

O que tudo isso tem a ver com a Itália ou com que eu estou clamando de ‘italianização’ de nosso futebol? Tudo. É que lá como aqui a imprensa diz – e sempre disse – que ‘erros’ acontecem. É que lá – aqui ainda não - há um ‘enorme equilíbrio’: ou dá Milan ou dá Juve (nada mais equilibrado que isso). Claro que acontecem algumas exceções (um título do Nápoli, um da Inter, a cada intervalo de seis ou sete dos outros dois). É que lá o equilíbrio vem daquilo que a imprensa convencionou a chamar de ‘time que tem estrutura’. Aqui isso está aparecendo agora. O que seria essa estrutura é o que não sabemos. O que sabemos é que por lá, depois de vários anos de ‘choradeira de perdedores’ e de ‘erros’ que acontecem, havia algo muito maior que ‘estrutura e choradeira’. Havia um ‘esquemão’ de compra de resultados, por parte dos vencedores, daqueles que quase nunca choravam, daqueles que tinham ‘estrutura’. Fiquemos atentos por aqui. Depois não vale dizer que todos fomos enganados!

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* Escrito em um momento – de cabeça quente – em que meu time mais uma vez foi prejudicado. Não bastasse um gol anulado durante um clássico, de ver o ‘craque’ do time ser tirado de campo depois de ser caçado durante o período em que ficou no jogo, o time leva uma goleada. Pode parecer paradoxal, pois 5 x 0 é demais, mas o jogo estava equilibrado, um pênalti não foi marcado a nosso favor, havíamos colocado uma bola nas traves do adversário e aí vem um péssimo árbitro e expulsa um dos melhores em campo até aquele momento. Aliás, o Palmeiras não teve nenhum pênalti anotado a seu favor até o momento. São 23 rodadas sem termos um pênalti sequer anotado a nosso favor. Pode ser coincidência. Eu não acredito nelas. Não peço ajuda de arbitragem, somente um campeonato justo, onde todos, os com ‘estrutura’ e os sem ‘estrutura’ possam disputar em pé de igualdade. Basta de apito cor-de-rosa!

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